O processo de criação de uma peça de cerâmica

Te aviso desde o primeiro momento que eu não sou expert em nada aqui. Iniciei na cerâmica em outubro de 2015, o que faz de mim nada além de uma iniciante neste universo infinito de barro, pózinhos mágicos e altas temperaturas. Tudo o que você vai ler daqui para frente não passa do fruto dos meus estudos, pesquisas, muito trabalho e dedicação à cerâmica, coisa que passou a ser parte da minha vida de uma forma que eu nunca sequer sonhei. Dito isso, podemos começar!   É frequente a dúvida entre meus alunos em suas primeiras aulas ou em workshops: já posso levar a peça para casa no final da aula? E eu posso ver a pontinha de frustração em seus olhares quando a resposta vem: Não, não pode. A peça vai levar um mínimo de 2 semanas para ficar pronta e isso ainda vai depender de disponibilidade de espaço dentro do forno. É a vida, folks. Isso é cerâmica. Ou, ao menos, a pontinha do iceberg. Os passos para a criação de uma peça de cerâmica. Este post foi escrito de forma bem didática, o mais didática possível dentro das minhas habilidades, portanto vamos começar com tópicos e, logo em seguida, a explicação de cada um deles, certo? Para chegar ao resultado final de, por exemplo, um prato (coisa que mais faço então para mim é um excelente exemplo), o caminho se resume, basicamente a: Projeto da peça Criação de um molde (quando peças que serão feitas em repetição) Aquisição da massa cerâmica (argila) e matérias primas para fabricação de esmaltes ou esmaltes prontos Preparação da massa cerâmica (argila) Modelagem da peça Secagem natural da peça modelada Ajustes finos da peça em ponto de couro Queima do biscoito Ajustes finos da peça biscoitada (lixa) Preparação do esmalte cerâmico (vidrado)…

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Como projetar uma peça de cerâmica

A criação de uma peça de cerâmica pode ser feita de diversas formas. Algumas delas, especialmente criações artísticas e/ou terapêuticas (argiloterapia) se dão de forma expontânea, sem um planejamento ou ideação prévios, o que resulta em peças que traduzem muito do subconsciente de quem as cria. São peças pessoais, íntimas e que, por vezes, não chegam ao seu resultado final pois o objetivo de sua criação é apenas o processo de criar em si. Outras porém, a grande maioria eu acredito – e isso é uma dedução minha, sem pesquisa, só achismo mesmo – percorrem um caminho mental antes de se tornarem realidade. São trabalhos artísticos, expressivos, religiosos, culturais, bem como produções autorais de design ou mesmo industriais. Todos estes carecem de uma ideia, de uma vontade, de um planejamento prévio. Qual forma? Qual tamanho? Qual cor? E para isso, qual material é melhor? Quantas peças serão criadas em reprodução? Qual a finalidade destas peças? Qual processo produtivo é melhor para atingir o resultado esperado? Todas estas são questões que se precisa considerar antes mesmo de adquirir o material – argila, esmaltes, ferramentas, etc, com que se irá trabalhar. Vou usar o meu exemplo para vocês terem uma ideia básica: Eu tenho um projeto de design autoral – eu mesma crio o design das minhas peças com o objetivo de que sejam 1) únicas e exclusivas, 2) úteis dentro do cenário da alimentação, 3) representações de um estilo de vida que transparece a valoração da beleza através da simplicidade, ou minimalismo, como preferir chamar. Meu objetivo é criar peças utilitárias que sirvam de forma eficaz como base para alimentos nutritivos e belos, que componham uma mesa aconchegante e visualmente atrativa sem serem uma distração mas sim uma moldura para a comida. Isso tudo permitindo que o processo produtivo, extremamente artesanal…

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Desde o início – Conceitos básicos sobre cerâmica

Te aviso desde o primeiro momento que eu não sou expert em nada aqui. Iniciei na cerâmica em outubro de 2015, o que faz de mim nada além de uma iniciante neste universo infinito de barro, pózinhos mágicos e altas temperaturas. Tudo o que você vai ler daqui para frente não passa do fruto dos meus estudos, pesquisas, muito trabalho e dedicação à cerâmica, coisa que passou a ser parte da minha vida de uma forma que eu nunca sequer sonhei. Dito isso, podemos começar!   E nada melhor para começar, que efetivamente o começo, não é mesmo? Eu contei neste post aqui, de 2016, um pouquinho sobre como a cerâmica veio parar na minha vida, assim, sem mais nem menos, da forma mais despretenciosa possível. Agora vou contar para vocês como e porquê ela ficou e criou raízes enormes que só crescem, todos os dias:   O que é cerâmica?   A definição básica de cerâmica que mais me agrada é o bom e simples argila cozida. Sim, cozida. Você poderia dizer queimada também… sinceramente não vejo nenhum impedimento para falar assim, mas a maioria das bibliografias que eu li falam de cozer e acho que me acostumei com o termo, é isso. Se você procurar no google, facilmente terá definições como “potes e outros artigos feitos de argila endurecida através do aquecimento” entre outras coisas um pouco mais estéticas, relacionadas ao campo das artes bem como definições que falam sobre a composição química do material. De qualquer forma, cerâmica é argila cozida, em todas as situações. E aqui eu começo a trazer vocês um pouco para o meu universo: Eu AMO química haha Não sou nenhuma expert no assunto mas era minha matéria favorita no colégio, foi o curso que escolhi para prestar vestibular de teste quando estava no…

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Resolução de conflitos internos

Ali fora está uma chuva que parece não ter fim. Mas tem. É chuva de verão, afinal de contas. Me acham estranha pois eu gosto de clima assim, cinza, frio, molhado. Talvez nem tão molhado assim. Mas bucólico, ah isso sim! Gosto desse ar de “ficar dentro”, da casa e de si mesmo, que esses dias, esses momentos trazem pra gente. Ultimamente ante bastante assim, para dentro. Experienciando, sentindo, agradecendo a vida e o criador dela por tudo que tem acontecido por aqui. Janeiro se foi, e com ele se foi também o aniversário de 1 ano do meu ateliê. Ok… agosto, eu acho, foi que aconteceu… até antes, não sei precisar o mês (lembrar o dia é fora de cogitação!). No meu antigo quarto, na casa dos meus pais. Na minha velha escrivaninha – uma tábua de porta sobre dois cavaletes feitos pelo meu pai, foi onde eu coloquei minhas primeiras pecinhas, meus primeiros esmaltes e me preparei para minha primeira feira, na qual fiz minhas primeiras vendas. Foi ali que a cerâmica-hobby começou a dar lugar para a cerâmica-negócio. A menina perdida, confusa sobre o futuro, sobre seu papel no mundo, começou a dar lugar para aquela idealização mágica que existia na sua cabeça de uma “artista-empresária”, tudo junto es misturado. Até saiu um sorriso aqui no rosto ao escrever estas linhas aí em cima pois, em minhas sessões de terapia em 2015 & 2016 eu debati muito essa questão-mal-resolvida que existia em mim, de buscar meu lugar no mundo, de conseguir me enxergar como eu era, de descobrir o que eu queria para mim. Eu tinha essa visão conflituosa de uma Cynthia-artista, de roupas confortáveis, cabelos bagunçados, mãos sujas, cercada de criações, de beleza, de magia… versus uma Cynthia-executiva, bem vestida, com ar de importante, em reuniões…

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Conheça a primeira coleção

Ela começou de forma bem despretenciosa. Natural. Foi surgindo sem muito planejamento, foi vindo assim, de forma sincera e orgânica, quase que sem querer… Quase. Eu já falei lá pelo instagram sobre como repertório é algo essencial na minha vida criativa. É onde bebo inspirações, onde minha cabeça se enche de imagens, de sons, de cheiros, de movimentos… Depois, em momentos de descontração… especialmente durante o banho haha Banho geralmente é um excelente momento criativo! Lavar louças também é um excelente momento meditativo… Bom, o fato é que, junto com uma fase de reflexão, limpeza – da casa e da mente – junto com uma fase de desacelerar, de ter menos, de estar mais presente, veio surgindo essa coleção linda e cheia de amor. .EINS é um. A primeira coleção ganhou um nome assim, expontâneo como expontaneamente surgiram as peças que a compõe. Ela traduz muito do meu momento de vida: buscando o minimalismo, a consciência do presente. Buscando abrir mão do perfeccionismo, da mania de alinhamento e medidas exatas. Ela vem ao encontro do meu encontro pessoal, de abrir mão das roupas que não me representam, dos bibelôs que não ornam com minha casa, dos utensílios que na verdade não uso. .EINS é, além do meu momento de vida, uma forma que encontrei de mostrar ao mundo a beleza no orgânico, no imperfeito. Mostrar que a simplicidade, seja ela da forma ou da cor, é encantadora e suficiente. Apresento a vocês, portanto, a primeira coleção Vida Feita à Mão: .EINS Neste link aqui você pode ver a coleção completa. Mas termine de ver as fotos desse post pois estão lindas haha

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O que é essencial? | 7 coisas que fazem toda a diferença na minha vida

Durante a infância e a adolescência eu sempre esperei. Eu esperei terminar o colégio, esperei para ter independência, esperei para poder sair sem hora para voltar, para ter mais privacidade, esperei para ter um cantinho só meu, do meu jeito. Aí a vida acontece e eu entrei na mesma loucura que a maioria de nós entra. Para conquistar todas as coisas que eu sempre esperei na vida eu precisava de um diploma, de um idioma novo, de dinheiro, de um emprego… A vida aconteceu para mim de um jeito meio sem controle, pois eu nunca tinha esperado fazer uma faculdade, qualquer que fosse. Eu nunca tinha esperado trabalhar num escritório, com o que quer que fosse. É engraçado pensar que eu – a “eu” que eu me tornei fazendo todas as coisas que eu não esperava fazer – com uma pinta meio feminista-defensora-dos-animais-e-do-meio-ambiente fosse chegar onde estou hoje: uma dona de casa, mãe de gatos, ceramista, super engajada com confecção de manualidades que funcionam, na verdade, como forma de meditação-terapia. Eu precisei ir longe na busca pelas coisas que eu esperava, tão longe que eu até perdi elas de vista fazendo as coisas que “precisavam” ser feitas para conquistar o que realmente era o objetivo. Quantas vezes não fazemos isso, né não? Nos perdemos na busca, esquecemos o foco, o objetivo final? (Neste post mesmo, estou aqui me concentrando para falar do que vim falar e não acabar escrevendo algo completamente diferente, como geralmente acontece com meus posts!) No fim das contas eu precisei trabalhar muito o autoconhecimento para relembrar tudo aquilo que eu esperava no comecinho da minha vida, tudo aquilo que realmente faz meus olhos brilharem e não é que essas coisas são as mais simples possíveis? Talvez se eu não tivesse entrado no circuito padrão faculdade-trabalho-carro-casa-casamento-filhos-etc eu…

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Mas, porquê cerâmica?

Eu nem sei mais a quantidade de vezes que já me fizeram esta pergunta. Por isso resolvi contar aqui para vocês um pouquinho da minha trajetória e o porquê eu, hoje, faço cerâmica. Onde tudo começou… Eu venho de uma família de fazedores. Sempre tivemos uma oficina no fundo do quintal, ou um quartinho, um cantinho das “tralhas” quando moramos em apartamento. Tinha ferramentas de marcenaria, elétrica e mecânica em geral. Em casa também sempre teve máquina de costura, tecidos, tintas e papéis. Tesouras e acabamentos sem fim, de glitter a ilhós, de stencil a silkscreen. Spray, pincel… Sempre! Dá para imaginar que eu tive uma infância feliz, cheia de lápis de cor e revistas recortadas. Logo que eu nasci, minha mãe dava aulas de artesanato (caixinhas decoradas) e pintura em porcelana na mesa da varanda de casa. E assim foi. Eu dividia meu tempo entre aventuras no quintal, desenhos infinitos no verso dos maços de relatórios da Bosh e as aulas de ballet. Ah o Ballet! Dançar está nas minhas veias desde o baby class, com 2 anos de idade… Esse amor acompanhou as aulas de artes no colégio, onde pintei meu primeiro quadro. Depois continuou presente quando fiz meu primeiro curso de decoração de interiores no SENAC. A dança só começou a ir embora quando entrei na faculdade de Design. Foi na faculdade que eu me apaixonei por fotografia. Não por tirar fotos, mas pelas fotos em si. Me apaixonei também pela oficina de marcenaria, pelo desenho de produtos, pelos projetos em CAD (3D)…. Quando tudo desandou… Foi ali, no meio da faculdade, que eu percebi que alguma coisa estava errada. Eu tinha parado de dançar para poder me dedicar aos estudos, mas na verdade, antes do design eu queria mesmo é ter feito faculdade de dança. Tive…

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Desentulhando a vida

E nessa pegada de deixar as coisas mais simples, mais fáceis, com mais sentido, eu passei a exercitar algo muito difícil para mim: ter menos. Vindo de uma família que guarda – guarda T U D O – Me desfazer das coisas nunca foi muito fácil. É aquela calça jeans que um dia ainda vai servir, aquele porta retratos que ganhei no aniversário de 13 anos, aquela bandeirinha que trouxe da viagem x, y, z…. Nossa! Um dia eu ainda vou usar… Aham! Graças a Deus existe esse recurso lindo chamado I N T E R N E T, através da qual eu posso expor minhas ideias, assim como milhões de outras pessoas também. Pessoas em jornadas similares à minha, ou simplesmente que são muito mais essencialistas que eu por natureza. E eu fui atrás de dicas, de ideias de como fazer esse processo no meu guarda roupas, no meu quarto, na prateleira de livros, na gaveta do banheiro e até mesmo no meu armário da cozinha haha. 2015 foi um ano incrível. Foi o ano em que eu, tirando muita coisa na frente, consegui chegar mais perto do que realmente importa. Ainda tem muita coisa para dar, trocar, jogar fora, tirar da frente, coisas materiais e coisas aqui dentro, mas o pouco que ja se foi me permitiu dar espaço para as coisas especiais. Afinal, nada melhor que olhar seu guarda roupas e ver que todas as peças ali estão lindas e ficam bem em mim, combinam entre si, são de boa qualidade e eu uso com frequência. Nada melhor que procurar as coisas e encontrar. Nada melhor que olhar em volta e não se sentir soterrado de coisas – tralhas mesmo. 2016 trouxe consigo muito aprendizado e auto conhecimento. Foi um ano de me voltar para dentro, portanto,…

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To be light

Quando a gente busca algo para nossa vida, se esforça, se dedica e tal e coisa, depois de algum tempo parece que é a coisa em si que passa a buscar por nós. Em casa costumamos chamar de “nossa bolha”. Ambos vivemos e trabalhamos com áreas do conhecimento criativos e mais humanizados. Ambos gostamos de acompanhar tendências, novidades tanto e de tal forma que vivemos imersos nisso. Quando um amigo/conhecido – e geralmente é alguém do no círculo próximo de convivência e da mesma geração que nós, afinal os mais velhos a gente entende – não conhece alguma coisa que para nós é super corriqueiro, nos espantamos. “Como assim fulano nunca ouviu falar de…” Simples, eu te explico. É banal para mim, não para ele.   Light. Neste último ano um dos temas principais do nosso lar tem sido o autoconhecimento. Tenho que te dizer o quão incrível é essa busca, o tamanho da maturidade que vem com ela. A consciência de si mesmo amplia significativamente a consciência que temos do mundo e isso muda tudo, toda a vida, simplesmente porque muda a nossa forma de ver o mundo. As coisas passam a fazer mais sentido, ter mais sentimento envolvido e você passa a fazer escolhas muito mais conscientes. Você não vai mais só porque “todo mundo vai”, você não faz mais só “por impulso”, você não compra mais “só porque é legal”. E quando você faz uma dessas coisas você sabe identificar que foi assim, por impulso, por falta de autocontrole, para suprir alguma carência sua… Por sinal, você aprende que é permitido errar e ser imperfeito. Inclusive, você descobre que todo mundo é, e isso liberta muito. É uma coisa tão importante que redefine a vida toda. Suas escolhas, seu comportamento e inclusive suas reações. Mas além disso…

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Sobre a magnitude que é escrever.

Este ano tem sido, até o momento, incrivelmente introspectivo para mim: uma pessoa que não sabe ficar de boca fechada. Para quem convive comigo e está lendo este post esta minha colocação pode até ser motivo de grandes gargalhadas, mas eu explico. Este ano eu tenho ficado mais comigo mesma. Com certeza esta coisa toda de não estar trabalhando fora, de ter o dia todo por minha própria conta e risco de ter, por boa parte do meu tempo, a companhia  “apenas” dos gatos ou do assento de passageiro vazio dentro do carro, é o que mais contribui para eu estar mais comigo mesma. Sendo praticamente obrigada a conviver comigo, com meus pensamentos, com minhas vontades, meus conflitos… Esse negócio de se ter como a própria companhia nunca foi algo possível na minha vida. A casa dos meus pais sempre foi cheia de gente, cheia de barulhos, cheia de coisas, cheia de mais e eu, de certa forma, aprendi a viver no meio de tudo e todos. Nunca 100% satisfeita, mas sem conhecer nada diferente, eu fui criando mecanismos de fuga para uma provável necessidade que eu tinha de ficar sozinha, quieta no meu canto, mas que nunca soube que tinha o direito de ter. Minha principal ferramenta sempre foi escrever. Eu era a garota dos diários. Eram diários de contos e fábulas, diários de sonhos, diários de dramas e paixões, diários de amizades perdidas, de medos, de vontades, de sonhos… Esses dias estava olhando meu livro de alemão que usei quando estava estudando lá do outro lado do oceano e, no meio das folhas soltas com exercícios e redações encontrei uma que não pertencia àquele universo. Eu li e, para começar, estava em português, depois, era algo tão singelo e tão sensível que se não estivesse escrito na minha própria letra…

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