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Voce ja ouviu o discurso que Steeve Jobs fez em Stanford no dia da graduação de uma galera muito sortuda? Se não, pare de ler isso aqui texto um instante e clica aqui para assistir então. (Mas volta depois, ok?)

Acho incrível a forma como ele linka todos os seus conhecimentos aleatórios para criar algo grandioso. Acho linda a forma como ele reconhece isso em sua própria história e faz disso seu maior diferencial. Ele é um dos meus ídolos por isso. Nem é por eu adorar meu mac, ou o iPad do Carlos. Eu nem mesmo gosto de iPhones, prefiro Android. Eu simplesmente adoro o Steeve pelo conteúdo deste vídeo.

Eu sempre fui um poço de conhecimentos aleatórios, inúteis se vistos de forma isolada…  Mas eu acredito que esse meu repertório maluco é o que me faz especial. Cada um tem seu diferencial. Há quem seja bom em exatas, há quem seja excelente articulista. O próprio Carlos (o noivo), e um empresário incrível. Já eu, que não tenho habilidade nenhuma para as três coisas, sou assim, muita coisa num lugar só. Transbordando!


 

Em 2011 eu fui para a Europa. Minha primeira e única – até hoje… – viagem internacional. No meu roteiro de viagem eu tinha apenas 2 paradas obrigatórias: Wolfsburg e Paris. Mais especificamente, a fabrica da Volks e o Museu do Louvre. O resto deixei rolar.

A Volks foi sim um passeio delicioso, mas não é o tema do post e não chega, para mim, aos pés de Paris.

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O Louvre é… A dream come true. O Louvre é o mundo todo, a história toda, tudo junto num só lugar. Não tenho palavras para descrever!

A emoção de estar diante das obras magnificas que estudei na faculdade, cujos nomes, períodos históricos, contextos e histórias eu fui obrigada a decorar para as provas de Historia da Arte, matéria da incrível Simone Landal (Por sinal prof, se você ler isso algum dia, saiba que você ficou para a minha história e que devo muito da minha cultura e repertório artístico a você!).

O Louve é um lugar que te faz sentir especial pelo simples fato de poder estar ali, vendo coisas ridiculamente importantes. Mas ao mesmo tempo te faz sentir pequeno diante de tanta grandiosidade histórica. Ele te faz sentir quase que insignificante.

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Dentre tantas coisas impressionantes eu me detive alguns instantes em peças cerâmicas pré históricas. Fiquei encantada de ver os detalhes de coisas que enfrentaram milhares de anos e estavam ali, na minha frente praticamente intactas. Algumas delas tinham até 5.8 mil anos… Cara, 5.8 mil anos atrás tinha gente fazendo potes de barro, decorando esses potes e os queimando em temperaturas altas o suficiente para que eles durassem…. bom, 5.8 mil anos! É surreal, não é?

Eu fiquei um tempo ali, curtindo minha insignificância diante do tempo e do universo, enquanto rabiscava no meu guia do museu alguns grafismos das peças, feitos por mãos tao antigas e pensando “Um dia vou usar isso, é tao legal!”.


 

Logo que comecei a fazer cerâmica aprendi a técnica de placa. Resumindo, é quando você estica a massa de argila com um rolo de macarrão ou instrumento similar, de forma uniforme, formando uma grande placa e, a partir dessa superfície, modela suas peças.

Eu tinha visto em algum lugar no Pinterest uns copinhos e gostei muito do efeito de sobreposição que eles tinham. Como se a parede do copo fosse um papel enrolado, com as bordas desencontradas. Um dia sobrou um pedaço de placa de uma peça que eu estava fazendo e eu resolvi fazer um copinho, como aquele que estava na minha cabeça.

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Gostei tanto do resultado que resolvi fazer um jogo todo, com 4 unidades. Um de cada tamanho pois a peça por si só é desuniforme, concluí que o jogo todo deveria ser também.

Nesse momento eu ainda não sabia pintar cerâmica com esmalte, acreditava que seria um desafio muito grande e optei por acabar este jogo de copos de uma forma mais simples. Engobe.

*Engobe é, na mais, nada menos, que a própria argila líquida. Diluída de tal forma que pode ser usada como uma tinta, que você pode aplicar com pincel sobre suas peças.

Eu resolvi que aplicaria um engobe de cor diferente da massa base dos copos e depois escavaria desenhos sobre elas retirando este engobe e deixando aparecer a cor base. Dessa forma, os desenhos ficariam em uma cor diferente do restante da peça e isso daria um toque legal.

Ganhei um pouco de engobe de uma das minhas professoras e pintei os copos. 5 camadas de engobe. Estava muito líquido. A argila ainda estava absorvendo muito liquido… Achei que não terminaria nunca!

Depois de seco, levei tudo para casa para fazer os desenhos sem saber ainda o que faria. Num primeiro momento pensei em algo geométrico, linhas, quadriculados…

Naquele final de semana fui para a casa de meus pais e resolvi arrumar algumas caixas minhas que ainda estão por lá. Me deparei com as lembranças de minha viagem e sabe o que mais? O guia do Louvre. Cheinho de grafismos incríveis que rabisquei de cerâmicas pré históricas.

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Não tive dúvidas! Chegando em casa eu peguei uma ponta seca (vulgo, algo com uma ponta bem fininha, de metal) e passei para os meus copinhos aqueles desenhos que duraram quase 6 mil anos em outras peças, agora expostas em um dos museus mais importantes do mundo. Em um deles eu imprimi também o contorno de minha mão. Era comum se marcarem as mãos nas paredes de pedra da antiguidade. Meus copinhos ganharam vida. Ganharam uma identidade que nem sei explicar!

De esmalte eu resolvi aplicar apenas transparente, na parte interna, para garantir a impermeabilidade e para ter um toque mais delicado, por fim nem era tão difícil assim aplicar o tal do vidrado. Do lado de fora quis deixar o toque do barro, queimado a 1230º, para explorar ainda mais a experiência das pinturas rupestres.

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Neste post resolvi relatar um pouco do meu processo criativo. Se você gostou de conhecer a forma como eu trabalho, comenta aqui em baixo! Me conta também se você produz alguma coisa e de onde tira suas inspirações. Vou adorar saber!

Beijos, Cy.

 

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